Ola de novo meus fio!
Hoje eu venho falar pra vocês de uma coisinha piticucucha e nada importante: é bem provável que, em algumas décadas, você, eu e todo mundo estaremos obsoletos, ou pior, mortos.
Porque? Bem, em resumo, é porque nós somos feitos de carne.
E carne é uma bosta, literalmente, se for capaz de imaginar toda a cadeia de transferência energética dos ciclos da natureza.
Na verdade, hoje eu iria escrever sobre uma palestra bem importante de um certo acadêmico israelense. Mas ai eu parei pra pensar que, se vocês não souberem o que vou descrever agora, vocês nunca vão entender as reais razões por trás dessa exposição.
Então, meus fio, hoje vamos falar sobre inteligência artificial.
Vocês devem conhecer o termo de algum filme, videogame ou coisa parecida. Acontece que a maioria das pessoas não tem a mínima ideia de todo o cenário por trás desse termo, nem do que ele realmente representa.
Inteligência artificial foi um termo inventado por John MacCarthy do Instituto de Tecnologia de Massachussets, nos Estados Unidos. Embora pareça futurista, considera-se que experimentos e estudos no desenvolvimento de maquinas inteligentes já existem desde a metade do século 20.
A ideia básica de inteligência artificial é de criar uma máquina capaz de pensar de forma inteligente, ou seja, de um modo similar, igual, ou superior a um ser humano. As consequências disso para a nossa existência e talvez à própria vida no nosso planeta são gigantescas.
E isso pode estar prestes a acontecer.
Vamos brincar um pouco com perspectiva. Primeiro, quero que você imagine que você tem uma máquina do tempo. Você usa essa máquina do tempo pra ir ao passado, até por volta do começo do século 19.
E lá você encontra um homem pobre chamado Ben,
Você leva ele até sua maquina e traz ele com você de volta para o presente.
Agora, vamos pensar; apenas 200 anos atrás, o meio de transporte mais popular era uma carroça puxada por animais. Automóveis ainda não existiam, a locomotiva era uma invenção recente e ainda estava em processo de implementação em larga escala (ferrovias levam bastante tempo e muita mão de obra para serem construídas).
Aviões sequer existiam conceptualmente e eram considerados algo impossível por muitos. A maioria das pessoas viviam com uma quantidade de nutrientes e calorias diárias inferiores a um almoço normal dos dias de hoje e trabalhavam em média 12 horas (ou mais) ao dia. Estradas eram feitas de pedra ou de terra compactada, banheiros internos eram coisas que só a elite tinha e redes de esgoto eram algo impensável para qualquer localidade que não fosse uma grande cidade. Os meios de comunicação consistem apenas do correio, que era caro e vagaroso, sendo que nem o telégrafo ainda existia.
As pessoas tinham uma expectativa de vida média de 35 anos ou menos e a grande maioria morava fora dos centros urbanos.
Esse é o mundo em que Ben viveu por toda a sua vida.
Aí você o leva para o futuro, para que ele vislumbre o mundo atual: a população urbana já superou em muito a rural, as cidades são pavimentadas e cheias de automóveis. A grande maioria das pessoas carregam dispositivos pequenos que permitem a eles se comunicarem por voz, texto e imagem a distâncias globais e de forma quase instantânea, e elas também possuem dispositivos que recebem transmissões de imagem e som em suas casas, e boa parte delas possui computadores que podem acessar uma gama de informações muito superior a uma coletânea de todos os livros de todas as livrarias de todo o mundo.
As pessoas trabalham em média 8 horas ao dia e recebem bem mais do qualquer fazendeiro dos século 19. Quando querem viajar, podem pagar para serem transportadas por grandes distâncias pela terra, água e ar, afinal avões não só existem, mas são usados amplamente.
As guerras entre grandes países quase deixaram de existir, porque hoje existem armas capazes de devastar toda a terra se forem usadas amplamente.
Posso te dizer com toda a certeza que o Ben ficaria meio surpreso com isso tudo. Na verdade, é bem possível que ele desmaiasse ou morresse de puro choque. Ben se sentiria como se estivesse entrado numa história de fantasia, ou levado para outro mundo.
Isso é porque, graças a tecnologia, nós realmente vivemos em outro mundo, hoje.
Agora, imagine que você, em sua maquina do tempo, resolvesse ir pra cerca de 100 anos no futuro a partir de agora.
Garanto que você teria uma reação bem parecida a do Ben. Como eu sei disso? Ora meu fio, vamos pensar.
Em menos de 200 anos, nós saímos do mundo pobre, chato e triste do Ben e criamos o atual. Claro, ele ainda tem muitos problemas, mas é incomparável ao anterior, e muito, muuuuuuuuito melhor em todos os sentidos.
Isso porque, se observarmos a história, é possível perceber que o progresso tecnológico não se move de forma linear, ou seja, com incrementos regulares. Em palavras menos frescas, isso significa que o progresso da humanidade não pode ser medido em sequencias como "1, 2, 3, 4, 5...", porque ele não se comporta de forma linear.
Se olharmos para a história do progresso humano, verificamos de cara que ele se desenvolve de forma exponencial. Ou seja, ele pode ser representado por uma sequencia exponencial, tal como "1, 2, 4, 8, 16, 32, 64..."
Esse fenômeno foi chamado por Ray Kurzweil (executivo do google, inventor e um dos mais prominentes nomes do desenvolvimento tecnológico de hoje) de "Law of Accelerating Returns", algo como "Lei da Aceleração dos Rendimentos".
Tal ideia surgiu de considerações de Kurzweil sobre os efeitos da Lei de Moore, um conceito criado por Gordon Moore, um dos co-fundadores da Intel. A Lei de Moore foi uma previsão de que o número de transistores de cada circuito integrado dobra a cada ano, uma tendencia observada nos avanços tecnológicos da década passada, ou seja, Moore previu toda a onde de miniaturização da tecnologia que criou o mundo em que vivemos hoje.
Kurzweil pegou essa ideia e a aplicou a todo o progresso tecnológico da humanidade, e acabou descobrindo algo interessante: toda a humanidade parece desenvolver tecnologias seguindo essa tendencia de melhoria exponencial. Isso se dá, em grande parte, porque quando você cria um computador melhor que o seu anterior, este computador novo te permite projetar um computador melhor ainda de forma mais rápida, pois você está utilizando uma ferramenta melhor do que a que você tinha anteriormente.
Claro, essa noção não está imune a criticas, mas se eu ficasse aqui discutindo esse assunto, esse artigo ficaria longo demais, então vou deixar isso pra depois.
Vamos voltar ao assunto principal, sabe, aquela coisa sobre inteligência artificial.
Algumas décadas atrás, muita gente descreditava a ideia de que maquinas conseguiriam superar o ser humano em todos os sentidos.
Nos últimos anos, essa ideia mudou radicalmente, não só por causa do desenvolvimento exponencial da tecnologia, mas por causa do fato de que já existem inteligências artificiais superiores ao homem, elas apenas não são superiores ao homem em todos os sentidos.
Ainda.
Vamos falar disso na parte 2, porque agora estou com preguiça. Até lá meus fio!





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